Informações de Roman teme terroristas; Thankgod perdeu tudo em enchente: os nigerianos que viajaram 14 dias em leme de navio
Roman teme terroristas; Thankgod perdeu tudo em enchente: os nigerianos que viajaram 14 dias em leme de navio
Dos quatro homens que fizeram a travessia, dois decidiram ficar no país. Em comum, eles relatam o sonho de ajudar os familiares que ficaram na África.
O Fantástico mostrou neste domingo imagens exclusivas do resgate de quatro homens nigerianos que viajaram escondidos no leme de um navio - dispositivo que dá a direção do navio, da África até a Costa Brasileira.
A viagem durou cerca de 14 dias, saindo do Porto de Lagos, na Nigéria e terminando no Espírito Santo. Após o resgate, os quatro imigrantes ficaram sob responsabilidade da seguradora do navio.
Dois deles retornaram para a Nigéria com as despesas pagas pela seguradora da embarcação, já outros dois decidiram permanecer no Brasil. Veja quem são:
Roman Ebimene, soldador
Em entrevista ao Fantástico, o nigeriano Roman Ebimene contou que o grupo entrou no navio achando que ele seguia para a Europa. A decisão de fazer uma viagem tão perigosa veio por causa da situação preocupante que a família vive em seu país de origem.
"Eu não tenho pai. Tenho três irmãos, a minha mãe é viúva e eles dependem de mim. Sou o filho mais velho e não tenho emprego no meu país", conta.
Roman diz que orava para poder ter uma oportunidade de viajar. Foi quando viu o navio e decidiu entrar. "Tudo para dar um futuro maior para minha família e para mim", relatou.
O soldador conta que passava fome na Nigéria e que, geralmente, a primeira refeição do dia, quando tinha, era por volta das 15h.
"Eu vim atrás de uma vida melhor e vou dar tudo de mim para conseguir trabalhar", contou Roman, relatando que ficou feliz quando soube que estava no Brasil.
Além da fome, ele relata que a família sofre com a violência instaurada na Nigéria pelo grupo extremista Boko Haram. Um dos tios de Roman foi assassinado quando fazia uma viagem de trem pelo norte do país.
Thankgod Matthew, pastor evangélico e agricultor
Com 38 anos, o segundo nigeriano que pediu refúgio no Brasil é pastor evangélico e também trabalhava como agricultor. Thankgod Matthew diz que perdeu a casa nas enchentes que atingiram a Nigéria em 2020 e que deixou dois filhos no país.
"Eu não consigo pagar a escola deles. Eu não consigo alimentá-los", lamenta.
Segundo Matthew, caso Roman não tivesse pedido socorro, muito provavelmente ele não teria sobrevivido.
Agora os dois para São Paulo, onde serão recolhidos em um abrigo. Enquanto solicitantes de um refúgio, terão os mesmos direitos de um cidadão brasileiro.
O drama na Nigéria
A Nigéria é o mais populoso da África, com 218 milhões de habitantes e tem a maior economia do continente. Mas tem altos índices de pobreza e desemprego.
Somente neste ano, o Brasil já recebeu 230 solicitações de refúgio de nigerianos.
"A Nigéria vive um drama e vive um caos humanitário de saúde, de educação e de vida, que fazem com que haja uma grande vulnerabilidade, uma grande incidência inclusive de subnutrição no país. Nós temos há 21 anos um grupo terrorista na Nigéria chamado Boko haram, perseguindo populações não islâmicas", destaca o coordenador adjunto do Observatório das Migrações, Luis Felipe Aires Magalhães.