Informações de Diretor do Cruzeiro, Pedro Martins explica demissão de Pepa e admite: "Trocar é um risco"
Diretor do Cruzeiro, Pedro Martins explica demissão de Pepa e admite: "Trocar é um risco"
Diretor afirma ainda que Zé Ricardo não é "salvador da pátria" para a Raposa
Após a apresentação de Zé Ricardo como novo treinador do Cruzeiro, o Diretor Executivo da Raposa, Pedro Martins, explicou a saída de Pepa e admitiu riscos com a segunda troca de comando na temporada. Essa foi a primeira fala da direção celeste após a saída do comandante português há mais de uma semana.
"A decisão de ficar é um risco, a de trocar também é um risco. Por isso temos que ter clareza em cada passo. Não chegou um salvador da prática, como também não existia antes. É colocar a mão na cabeça e tomar as melhores decisões para obter os melhores resultados."
Segundo Pedro Martins, essa "clareza" para a troca de Pepa por Zé Ricardo se deu após análise de um contexto geral, considerando o objetivo inicial do clube e também o dia a dia de trabalho do antigo técnico.
- O que culminou na saída do Pepa e na chegada do Zé, é olhar pra trás. Aqui fazemos avaliação, recortes, e um estudo mais profundo ao final do turno. E quando sentamos pra avaliar o turno, nossa rotina, a gente começa a projetar qual é o Cruzeiro que a gente quer, qual o Cruzeiro possível até o final do ano pra gente cumprir a nossa meta. Tinham dúvidas sobre o próximo ciclo. A forma como o dia a dia foi tratado nos fez trocar o técnico.
A equipe comandada por Pepa venceu, pela última vez, em 08 de julho, por 1 a 0, sobre o Vasco. Desde então, foram oito partidas, com cinco empates e três derrotas. Chegou aos 26 pontos, ficando em 12º lugar e cinco pontos acima da zona do rebaixamento.
- Pra que a gente consiga fazer um diagnóstico, olhamos tudo, os treinos, a energia, o processo de integração técnica com o indivíduo, com o coletivo, e tudo isso teve avaliação positiva e negativa, e tinha avaliação que infelizmente não identificamos evolução. Fizemos várias reflexões com a comissão técnica - afirmou o diretor.
Mesmo com a fase negativa e muita cobrança da torcida, Pedro Martins afirma que o rompimento foi difícil por causa da união e das relações em que a comissão tinha com o treinador.
- O Pepa e a sua comissão apresentaram e acreditaram no projeto, e a gente teve que tomar essa decisão com uma dificuldade pela relação pessoal que existia aqui. Eu não tenho dúvidas que pelo potencial do Pepa ele tem um futuro brilhante.
Erros no caminho
A SAF do Cruzeiro é comandada pela equipe de Ronaldo Fenômeno desde 2022. O time conseguiu o acesso para a série A, com uma campanha empolgante. Paulo Pezzolano comandou o time durante toda a temporada, mas não resistiu a um início ruim nesta temporada. Derrotas no Campeonato Mineiro culminaram na troca de treinador dias antes do início do Brasileirão.
Pepa chegou e ficou cinco meses a frente do clube. Mais uma vez, uma troca no decorrer da temporada e em uma fase delicada. O diretor falou sobre a caminhada na gestão e sobre os erros que aconteceram e podem acontecer a qualquer momento.
- Fazer recorte e pensar agora o que poderia ser feito de diferente, é óbvio que fazemos, inclusive com decisões que geraram o acesso. E quando a gente olha pra trás, no erro e no acerto, a gente poderia ter feito muita coisa diferente. Mas não podemos esquecer que as decisões têm que ser tomadas naquele momento. E todas as decisões que tomamos até agora foram pensando no fortalecimento do Cruzeiro.
Novo comando
Foram sete dias entre a demissão de Pepa e o anúncio da contratação do novo treinador Zé Ricardo. O jogo entre Cruzeiro e Bragantino, no último domingo, pelo Campeonato Brasileiro, foi comandado pelo técnico do Sub-20, Fernando Seabra.
Surgiram muitos nomes, Gabriel Milito e Odair Hellmann foram opções que o clube buscou, mas sem sucesso. Zé Ricardo estava, atualmente, sem clube. O último trabalho do treinador foi o Shimizu S-Pulse, do Japão, entre 2022 e 2023, tendo a missão de salvar o clube do rebaixamento, o que acabou não acontecendo. Pedro Martins justificou a escolha do treinador, mas alertou que não há nada que mude muito rápido.
- Temos uma equipe de monitoramento de mercado que faz essa projeção e essa análise (do novo técnico), foi uma lista grande. Como parte da inteligência do Cruzeiro, temos que estar alimentando essa lista, e o Zé Ricardo foi um treinador que sempre monitoramos. Conversamos com ele em outros momentos, e o Zé é um profissional que já analisamos há muito tempo em outros clubes.
"Agora é trabalhar. Não chegou um salvador da pátria, como não existia antes."
Relação com a torcida
O momento ruim refletiu no sentimento da torcida. As últimas semanas foram de protestos na porta da Toca da Raposa II e de indignação durante as partidas. No jogo contra o Bragantino, por exemplo, parte da torcida chamou o time de "pipoqueiro" e ainda renderam xingamentos ao gestor da SAF, Ronaldo Fenômeno (que estava acompanhando no estádio).
Pedro Martins entende a insatisfação do torcedor, reforça que é necessário mostrar trabalho, mas afirma que decisões técnicas são feitas pela diretora de forma que entendam o que é melhor para o clube.
- O clube sem a torcida não é ninguém; temos que validar o dia a dia, o trabalho, pra que consigamos resultado e a torcida se agrade. No Cruzeiro sempre vamos buscar a conexão com o torcedor, mas a decisão técnica precisa ser avaliada de acordo com o que está sendo feito dentro da Toca, pra que assim o torcedor fique satisfeito.