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Da pelada na praia ao PSV de Romário e Ronaldo, Savinho é cara nova do Brasil no Mundial Sub-20

Atacante do PSV treina entre os titulares e tendência é que seja titular de Ramon Menezes em duelo com a República Dominicana nesta quarta-feira, em Mendonza. Conheça a história do jovem

24/05/2023 ás 14:21:00

Fonte: Por Cahê Mota — Rio de Janeiro

Abusado ou predestinado? Difícil definir um adjetivo que se encaixe melhor na trajetória de Savinho. Provável novidade de Ramon para o Brasil vencer a República Dominicana, nesta quarta-feira, pelo Mundial Sub-20, o meia-atacante acostumou-se a ser precoce em uma trajetória que começou nas praias do Espírito Santos e o levou até o PSV de Romário e Ronaldo.

Brasil se preparou para pegar a Rep. Dominicana com Mycael, Arthur, Jean, Robert Renan e Kaiki Bruno; Andrey Santos, Marlon Gomes e Savinho; Marquinhos, Marcos Leonardo e Guilherme Biro

O pequeno Sávio tinha pouco mais de 5 anos quando os entendidos fizeram a profecia para sua mãe, em São Matheus, no Norte capixaba: "Esse menino vai virar jogador". Ela acreditou, e se mudou de mala e cuia para a capital Vitória em busca de oportunidades mais claras. Era um passo fundamental que serviu como ponte para o Atlético-MG.

- Logo no primeiro dia, com mudança no caminhão e tudo mais, deixamos as coisas em casa e fomos para a praia caminhar para conhecer. Vi um futebol de areia, pedi para ir ver e queria jogar, nem que tivesse que pagar para isso. Entrei, eles viram que eu tinha futuro e já me convidaram para uma escolinha de campo sem pagar nada. Foi uma oportunidade logo no primeiro dia. Ali, já estava feito o que Deus fez por mim.

 

"Querendo ou não, a gente nasce com o dom. Todo mundo sabe. Não sou sem humildade por falar isso", lembra um sincero Savinho

 

Pelas palavras da mãe, Dona Nilma, a história é ainda mais curiosa e termina com um convite para escolinha que abriu portas para testes em grandes clubes:

- Estávamos passeando pela praia quando gritaram lá da areia: "Mãe, está faltando um aqui. Deixa seu filho jogar?". Ele quando ouviu isso me pediu muito e acabei deixando. A partir daí, teve a chance de treinar, mas não tínhamos condição de levá-lo. Ele pequenininho ia de bicicleta com outras crianças. Eu ficava apavorada.

A profecia do treinador que o viu na praia se cumpriu. Savinho iniciou sua trajetória nos campos aos 8 anos e aos 11 viu o talento despertar o interesse além dos limites capixabas. O primeiro teste bem sucedido foi no São Paulo, mas as condições oferecidas impediram a permanência. Até que a precocidade voltou a falar mais alto.

Mesmo com a diferença de idade, o garoto se destacou em jogos contra o Sub-17 dos grandes de Belo Horizonte e não demorou para encarar a estrada definitivamente:

- Gostaram de mim no São Paulo, mas na época tinha que voltar de três em três meses. Eu não tinha condição disso e fiquei em Vitória. Tivemos a oportunidade de fazer jogos contra o Sub-17 do Cruzeiro e do Atlético-MG, mesmo com apenas 11 anos. Eles gostaram muito e logo me chamaram para ficar. Fui em casa, fiz a mala e fui para BH.

 

Conselhos de Hulk, clube de Ronaldo e Romário

 

A viagem repentina, apesar de toda convicção, apresentou desafios: onde morar? Com quem morar? Como sobreviver? Savinho recebeu o apoio de amigos de clube, morou na casa de um, de outro, até que Dona Nilma resolveu larga tudo para viver o sonho da família. Em campo, tudo dava certo. Fora dele, não era bem assim:

- Meu grande problema, era por ele não gostar de estudar. Me dava um trabalho! Eu saia cedo para trabalhar, deixava tudo pronto para ir para escola, mas ele faltava aula para ficar vendo os jogos perto de casa.

Rebeldia de quem sabia que o caminho no futebol era sem volta. A estreia pelo profissional do Galo, como não podia deixar de ser, também foi precoce. Aos 16 anos, entrou no fim do jogo contra o Atlético-GO, fora de casa. De cara, foi apadrinhado pelas estrelas do elenco:

- Os jogadores sempre me cobravam para eu fazer no jogo o mesmo que fazia no treino. Eu entrava para jogar e não repetia, faltava sequência.

 

"Réver, Hulk, Keno, Mariano, Allan e Jair me cobravam e me ajudavam muito. Sou muito grato! Um lance outro do gol contra o Del Valle, o Réver me chamou e disse: "Vai para dentro". Deu certo e foi uma alegria de todos!"

 

Foram três anos entre os profissionais, 35 jogos, dois gols e seis títulos. O garoto abusado e predestinado logo chamou a atenção do Grupo City, que o comprou por 6.5 milhões de euros. O destino europeu foi a Holanda, e o PSV de imediato se transformou em uma casa inspiradora:

- Por onde você anda no PSV, só tem Romário e Ronaldo. Fotos deles por todos os lugares. Espero fazer o mesmo que eles fizeram. Preciso ter cabeça boa e sequência. O respeito é muito grande. Dia desses, o Romário estava lá para carimba o pé na calçada da fama. Foi muito legal.

Pela Seleção, Savinho é um dos garotos que joga junto desde o Sub-15, quando a mesma geração foi campeã sul-americana. Convocado para o Sul-Americano deste ano, na Colômbia, não entrou em campo por conta de uma lesão muscular, e vê no Mundial uma forma de encerrar o ciclo nas categorias de base jogando.

Foi assim na estreia contra a Itália. Opção de Ramon logo no intervalo, deu dinâmica e criatividade a um Brasil que não evitou o tropeço, mas saiu do 3 a 0 para o 3 a 2. Nesta quarta, a tendência é que seja titular na missão de evitar que a precocidade que tanto o marcou venha em forma de eliminação.

Brasil e República Dominicana se enfrentam às 18h (de Brasília), no estádio Malvinas Argentinas, em Medonza, pela segunda rodada do Grupo D. Os dois primeiros de cada chave avançam juntamente com os quatro melhores terceiros colocados.